CLÓVIS ROSSI - Números silenciados
SÃO PAULO - Nunca antes neste país houve tantos milionários como agora, relata esta Folha. São 190 mil, detentores de praticamente a metade de tudo o que o Brasil produz de bens e serviços, o tal de PIB (Produto Interno Bruto). Posto de outra forma: metade do bolo é comida por 190 mil pessoas, a outra metade por 184.081.082, se se levar em conta o mais recente número da população brasileira no site do IBGE. E ainda tem gente -muita gente, aliás- que vive macaqueando a balela de que a desigualdade está se reduzindo no Brasil. Balela apoiada em uma única fonte, a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio, que tem um problema básico: quem tem renda além do salário omite-a, por esquecimento ou má-fé. Menos mal que no próprio governo haja quem aponte o equívoco, caso de João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Em texto para a revista "Democracia Viva", editada pelo Ibase, mais conhecido como "a ONG do Betinho", Sicsú escreve que o cálculo de desigualdade com base na Pnad "mede a diferença entre as rendas que remuneram o trabalho; portanto, não leva em conta as rendas do capital: juros e lucro". O texto é acompanhado de um gráfico que mostra a participação de capital e trabalho no PIB. Em 10 anos (de 1995 a 2005, exatamente o período em que a Pnad aponta queda da desigualdade), a participação dos salários no bolo econômico caiu de 35% para 31%, ao passo que o capital subiu de 31% para 36%. Como há muitíssimos mais assalariados que capitalistas, tem-se que há poucos comendo muito e, a grande maioria, comendo bem menos do bolo chamado Brasil. Não há, pois, como levar a sério a lenda da queda da desigualdade. Mas, como PSDB e PT se acham responsáveis por ela, faz-se denso silêncio sobre esses números.
SÃO PAULO - Nunca antes neste país houve tantos milionários como agora, relata esta Folha. São 190 mil, detentores de praticamente a metade de tudo o que o Brasil produz de bens e serviços, o tal de PIB (Produto Interno Bruto). Posto de outra forma: metade do bolo é comida por 190 mil pessoas, a outra metade por 184.081.082, se se levar em conta o mais recente número da população brasileira no site do IBGE. E ainda tem gente -muita gente, aliás- que vive macaqueando a balela de que a desigualdade está se reduzindo no Brasil. Balela apoiada em uma única fonte, a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio, que tem um problema básico: quem tem renda além do salário omite-a, por esquecimento ou má-fé. Menos mal que no próprio governo haja quem aponte o equívoco, caso de João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Em texto para a revista "Democracia Viva", editada pelo Ibase, mais conhecido como "a ONG do Betinho", Sicsú escreve que o cálculo de desigualdade com base na Pnad "mede a diferença entre as rendas que remuneram o trabalho; portanto, não leva em conta as rendas do capital: juros e lucro". O texto é acompanhado de um gráfico que mostra a participação de capital e trabalho no PIB. Em 10 anos (de 1995 a 2005, exatamente o período em que a Pnad aponta queda da desigualdade), a participação dos salários no bolo econômico caiu de 35% para 31%, ao passo que o capital subiu de 31% para 36%. Como há muitíssimos mais assalariados que capitalistas, tem-se que há poucos comendo muito e, a grande maioria, comendo bem menos do bolo chamado Brasil. Não há, pois, como levar a sério a lenda da queda da desigualdade. Mas, como PSDB e PT se acham responsáveis por ela, faz-se denso silêncio sobre esses números.
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