segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Razões

Vamos entender as razões de tudo.
No fluxo de trabalho, havia a montagem de 4 produtos que chegavam para 3 pessoas testarem e normalmente 1 destes ( com sorte) não atendia as expecificações. Esta era a rotina. Como havia apenas um técnico para resolver o problema, uma fila se formava, quer fosse no teste, que fosse no ajuste. Quanto mais projetos que não funcionam, maior a fila. Isto acontece pela arrogância daquelas papeletas coladas na parede, que afirmava categoricamente: NÃO TEMOS PROBLEMAS TÉCNICOS. Será mesmo?.
Participei de 4 produtos, cuja tentativa de solução passou nas mãos de várias pessoas sem sucesso. Um já fazia seu 4 aniversário.
1. O produto um foi interpretado erroneamente na solicitação do cliente, ou seja, perdeu-se tempo na leitura um pouco arrogante e ainda tentei evitar um mal maior, fiz uma tentativa em vão de explicar o problema. Resultado, perda de tempo e cliente não atendido e maltratado.
2. Outro produto não possuia uma trilha de ligação e uma conexão estava errada, ou seja, poder-se-ia perder anos sem solução, mas obtive sucesso, desconsiderando a premissa da parede. Resultado, produto funcional.
3. Em outro produto, a mesma coisa. Da premissa que é APP NOTES direto, a simples interpretação do conjunto identificou os problemas técnicos, mas como sempre, ao invés de um obrigado, cobranças e reavaliações inúteis. Como sempre, faltou humildade e perdeu-se mais um "tempinho" precioso. Resultado, produto funcional.
4. Este foi um pouco mais complexo, já que nenhuma premissa funcionava. Felizmente, houve sucesso por fazer uma varredura ampla do chamado ajuste e o reconhecimento que o conjunto nativo não funcionava. Resultado, produto funcional.
Bem, já sabemos a origem dos problemas e as soluções?.
Ai é que mora o problema. Além da arrogância, existe a paranóia de perseguição e que todos querem o seu mal. Depois confidencia que não precisa de ninguém e que todos são dispensáveis.
Chegou ao absurdo de punir com advertência escrita, uma campo não preenchido (cuja informação não alimentava nenhum processo estatistico) e que não afeta em nada o produto final, já que se trata de uma atividade banal, realizada dentro do prazo e com qualidade e que será atualizada ou não mais a frente.
No espaço de 2 meses, assinei 4 delas, todas equivocadas.
A mais bizarra, desdobrou-se da comentada, aonde o funcionário trabalhou além do expediente toda a semana, inclusive no sábado, para agilizar o produto e cumprir o prazo, recebendo como prêmio, também uma advertência. Inexplicável, mas não no contexto da paranóia.
Tratar o funcionário como inimigo resulta apenas em realimentação negativa em todo o processo. Xinga-se pelo incapacidade técnica, reclama-se da demora em resolver ordens, as vezes incompletas, questiona-se os resultados recebidos, não aceita justificativas como falta de pessoal ou equipamentos e suas limitações e pune-se a todo momento, de forma oral ou escrita. Mas em momento algum, reflete sobre o conjunto e o que pode estar contribuindo para tanto atraso. Eu já identifiquei e estão bem claros, mas permitir esse trabalho, seria confirmar que o modo atual está errado, assim, o melhor, findo os grandes atrasos, é reduzir custos.
Este tipo de gestão do medo era muito comum nos anos 70 e 80. Hoje, os funcionários são mais descolados, possuem maior bagagem educacional e as experiências vivenciadas por seus pais e parentes mais velhos, já advertem sobre tudo isso. Isto demonstra o grau de desinformação do mundo a sua volta, um perigo para a saúde financeira da empresa.
No quadro diário de tragédia após tragédia, o resultado não poderia ser outro.

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